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Nas ondas do rádio

Breve Histórico e um Projeto para as Rádios Livres


"Sempre que um grupo de pesoas se organiza e se dispõe a trabalhar por um objetivo, algum resultado é obtido, e sempre o grupo consegue mais que qualquer de seus integrantes obteria se agisse isoladamente. E mesmo que se consiga relativamente pouco, em vista do objetivo almejado, essas epssoas adquirem um prepara e obtem conhecimentos que serão muito úteis em outros empreendimentos" Dalmo Dalari
Montar uma Rádio Livre que tocasse uma música diferente das rádios comerciais e que de quebra fosse um meio de comunicação entre os alunos. Pois é, essa idéia não é nova na Unicamp. Pelo contrário, é bem antiga e remonta à década de 60. Contudo ela só veio tomar forma em 1986 quando um grupo de + ou - 40 pessoas se organizaram em torno de um transmissor de 3 watts construído por um cara da física e montaram o estúdio onde hoje é a livraria do Básico. Tudo pronto e aí... o transmissor pifou, e como o cara que construiu tinha ido para o Japão ele continuou pifado até 1991 quando alguém, remexendo no depósito do DCE descobriu o mesmo e assim reacendeu aquela velha idéia.
No princípio, só trës pessoas estavam envolvidas, a bem da verdade, com um transmissor que mal levava seu sinal a 20 metros do estpudio que era o próprio depósito do DCE. A medida que foram se fazendo alguns acertos no transmissor e o alcance foi aumentando, maior o número de participantes, até que se resolveu montar um coletivo anarquista -- idéia minha -- para gerir o projeto de maneira o mais democrática possível, e isso significava tirar o controle da rádio do DCE o que deu o maior páu ainda mais porque era eu o coordenador de cultura do DCE daquela gestão de 1992. Toda a briga foi apenas o reflexo do movimento estudantil autoritário e paternalista que até hoje está por aí. Melhor para o coletivo que venceu a parada e melhor para o movimento estudantil que começou a aprender uma nova forma de atuação que se refelte hoje por outros coletivos como o Fórum dos Cursos Noturnos.
Porém, nem todas as batalhas estavam ganhas. Não demorou muito e o transmissor pifou novamente. O estudio era muito pequeno. Ou seja, estava difícil o coletivo deslanchar até que dois fatos mudaram o rumo das coisas. Um dia, alguém virou e disse: "Por que a gente não pede para a reitoria aquela sala ociosa embaixo da caixa d'água para servir de depósito dos equipamentos eletrönicos do DCE?". Vitória! A reitoria caiu, ou melhor, aceitou o pedido. Concomitantemente a isso o DCE descolou uma grana para comprar o novo transmissor, a n nova antena, novos aparelhos e para consertar os antigos. E assim mudamos de mala e cuia para a caixa d'água. Ps: que emoção instalar a antena no alto da caixa d'água!
1992 chegou ao fim e 1993 começou com o coletivo da Rádio Muda com todo o pique -- por que muda? não sei, acho que porque ficava mais tempo muda do que falando e porque se precisiva de nome -- enfim o semestre começou com 25 pessoas compondo a programação que ia basicamente das 8 às 24h de segunda à sexta. Mas ainda haviam problemas de ajuste fino no transmissor e na antena, bem como de organização do coletivo. Principalmente de organização: alguém tem um livro do Bakunim para emprestar?
Primeiramente nosso principal problema era (ou é) a questáo da chave do estúdio. Lado a lado com a questão da divisão das tarefas do coletivo: como arrecadar fundos, como organizar a programação, como fazer a divulgação da rádio, como organizar o acesso ao estúdio (a chave!), como consertar os aparelhos com problemas, bem como elaborar um regimento do coletivo.
Estes dos problemas vem sendo conduzidos a contento. criou-se a figura dos facilitadores que se responsabilizariam por cada uma das tarefas citadas contudo com carater de coordenar os esforços dentro de cada tarefa e bnão de assumí-las pessoal e unicamente. É bom lembrar que o coletivo da radio livre não é só um espaço para "se fazer um som". Quanto a chave, aumentou-se o número de cópias.
Falando "em se fazer um som", gostaria de expor o projeto que eu penso para a rádio livre, afim de sucitar a discussão deste importante tema no coletivo. Ao participar do último encontro nacional de rádios livres dentro do Seminário Nacional de Extensão Universitária, acontecido na PUCCAMP, me espantei ao perceber, em meio às discussões, que a Rádio Muda era a maior rádio livre do país em todos os sentidos: altura da antena, potëncia do transmissor, número de horas no ar, número de participantes e alcance do sinal. E o que fazer com tudo isso? Rádios menores como a da federal de Campo Grande-MS estão fazendo um trabalho comunitário interessante como a participação de funcionários, alunos e professores. Porém, antes de continuar, gostaria de expor o aspecto jurídico da questão e como o nosso coletivo se encaixa nesta conjuntura.
Operar uma rádio livre é contravenção penal com pena de dois anos para quem for pego em flagrante. Há hoje dois processos em andamento, um da rádio Paulicéia de Piracicaba e outro de uma rádio livre de Goiás. Chato; contudo, a situação não é tão preta assim principalmente para nós radialistas universitários.
Esta havendo a meu ver um começo de distenção a respeito deste tema nos meios formadores de opinião. Tomemos como exemplo os comentários favoráveis às rádios livres feitos por Bopris Casoy, lembrando as telespectadores que há muito estas estão liberadas na França e nos Estados Unidos. Outro ponto importante foi o convite que o coletivo de radio livre recebeu para participar da solenidade de recebimento do acervo radiofönico do programa "Certas Palavras". E aí cabe uma conversa ao pé do ouvido: a Reitoria da Unicamp, na figura do vice-reitor, tem um projeto de implantação de uma rádio universitária no campus cuja concessão só não foi adquirida ainda devido a disputas políticas envolvendo as outras rádios FM de Campinas. Neste sentido é interessante para a Reitoria que a Rádio Muda sucita essa questão no campus. Alia-se a isso o fato da Polícia Federal, em tese, só poder entrar no campus com autorização do reitor, o que não seria interessante em termos de imagem da Reitoria junto aos alunos. Em Curitiba o reitor avisou o DCE antes que os federais pusessem a mão no transmissor. Ah! é sempre bom lembrar que estamos em plena campanha para Reitor-94.
Neste sentido creio que o momento atual é ideal para fazermos com que o coletivo da rádio caminhe na direção de uma rádio livre universitária intimamente ligada com o espaço do campus ampliando-se através do sinal do transmissor. Para que isto ocorra é necessário antes de mais nada que se aperfeicoe a gestão interna do coletivo indo desde uma maior responsabilidade por parte dos facilitadores passando pela agilidade na resolução dos problemas como por exemplo a quebra dos equipamentos.
Feito isto acho essencial pra este projeto de rádio a criação de uma comissão de imprença que esteja ligada aos fatos mais importantes do campis e que elabore um informativo semanal para ser lido por todos, em seus respectivos programas. Esta comissão seria uma ponte de ligação entre as entidades (CA's, STU, ADUNICAMP) e o coletivo. Outra ponte ou melhor pontes seriam os própios titulares dos programas na medida em que assumissem a postura de estar em mais intimo contato com sues CA's divulgando os informes, recebndo apoio financeiro para melhor estruturar os programas e atuando na montagem de sistema de recepção do sinal tanto dentro do espaço do CA quanto na cantina do instituto.
Outro ponto importante seria uma pesquisa para saber quem são nossos ouvintes em potencial e quais os horários mais propícios a determinados estilos musicais visando contemplar o maior número de pessoas através da programação. O que em última análise confere legitimidade ao coletivo frente à comunidade universitária o que é imprescindívelno que diz respeito à segurança do coletivo o que trocando em miudos quer dizerque quanto mais pessoas se identificarem com a rádio mais segura ela estará. Finalmente, gostaria de voltar ao ponto que toque anteriormente qual seja a distinção quen tem havido por parte dos formadores de opinião. Tenho a impressão de que as rádios que prestam serviços de informação comunitária são mais bem vistas pelas autoridades o que convenhamos é interessante.
Autor: Osmar Coelho (que se identificou como facilitador externo do coletivo da Muda)
_Nota do digitador:
Este texto foi encontrado na mesma época, nas mesmas condições e no mesmo lugar que o anterior. Mais uma vez destaco que não se trata de uma história oficial da rádio. Muitas coisas podem ser contestadas e outras tantas podem ser puro delírio de quem escreveu. O texto foi publicado para que tenhamos acesso a acontecimentos passados e suas leituras. Os erros de portuguës foram mantidos, pois para corrigir seria necessário escrever tudo novamente. E, quem sabe, não é um estilo intencional?




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