Pular para o conteúdo principal

Construindo alicerces

Construindo alicerces

Eu sei o que é se sentir pisado no chão incapaz de se reerguer, o que é se sentir preso em algemas da perdição e o que é ser encarcerado por grades feitas por lembranças demolidoras. Entendo como é sentir a sensação de estar perdido no meio de um deserto absorto pelo breu de uma noite sem estrelas. Quantas vezes me identifiquei com a escuridão como se ela e eu fossemos uma só carne? Quantas vezes escolhi me cobrir com a capa da solidão para poder encontrar o meu elo perdido no silêncio, mas que na verdade aquele barulho todo no qual eu fugia estava dentro de mim mesmo? Quantas vezes juntei as forças do meu melhor para no final sequer ganhar retorno? Quantos momentos me senti subindo uma estrada escarpada, carregando nas costas um saco cheio de pedras de desconsolo? Quantos instantes fitei minha prateleira íntima e observei a minha coleção de derrotas e os meus troféus ganhos de tudo aquilo que mais almejei na vida, mas que acabei deixando para lá? Sabe, poderia ser pior? Já brequei meus passos, olhei para cima e enxerguei um céu nublado por mais que o sol radiasse imponente pela atmosfera e implorei por ajuda por estar sentindo um nó indesatável adstringindo os meus pulmões. Já me afoguei em lágrimas oprimidas pelo aperto das tribulações. Assim como também houve momentos em que preferi guardá-las uma a uma, até meu corpo ser transformado em um estoque destas lágrimas que acabei optando por censurar. Meu travesseiro, as portas e as paredes já foram vítimas da minha raiva, do meu ataque de fúria derivada de um cansaço da vida. Já perdi as contas de quantas vezes o vento da incredulidade soprou em minha mente, de quantas vezes a chama da fé acesa em meu espírito oscilou ao enfrentar os furacões diários. Confesso que já me perguntei o porquê de eu estar aqui. Para quê? Por quê? Qual é a minha finalidade neste mundo que se prostra diante de mim de uma maneira tão injusta? Às vezes, tudo parece ser tão denso, enfadonho, indigesto. Enquanto o êxito e sucesso se fazem presente numa multidão de gente que mal tem caráter. Por que, às vezes, parece que o universo conspira tantas vezes no sentido inverso? Cadê a justiça? Os sonhos? A vida? Tudo isso se resumia a um só grito: “Cansei”. E realmente surge um momento em que tudo cansa, até mesmo aquele jeito otimista que muitos falam que os problemas irão cessar, que o sol voltará a brilhar, que as rampas se tornarão menos íngremes. É que não dá. Às vezes, a gente só quer extravasar a nossa ira, expressar o nosso acesso de raiva devido ao acúmulo de peso nas costas, que muitas vezes achamos até que nem são verdadeiramente nossos. Às vezes, só queremos um lugar calmo onde o silêncio predomine e que contenha a paz capaz de assentar os estrépitos da nossa mente e que ajuste a nossa alma desalinhada. Só queremos uma oportunidade de sermos nós mesmos ou até mesmo a liberdade de não sermos nós. De sermos outros. De sermos novos, distintos, o oposto. Até revirarmos-nos pelo avesso e começarmos pelo zero, na linha de partida. Até conseguirmos afastar os nossos destroços intrínsecos e enxergar a joia perdida dos nossos sonhos submersos por escombros. Até conseguirmos renascer das cinzas e finalmente voltar a acreditar. Voltar acreditar porque, apesar de todos os tropeços e muralhas, apesar de todo acesso de raiva, de cansaço, de angústia, um dia, cedo ou tarde, a gente tem que aprender que crer é preciso, é obrigatório. Porém, de fato, não é fácil e nem simples. É muito mais fácil desistir de tudo quando vemos que o ápice dos nossos sonhos se encontra tão distante, ou que existam tantos óbices bloqueando a passagem. Mas se eu disser que se pode, com esforço e com o mínimo de fé que lhe restou, de verdade, encontrar riquezas até no entulho que nos soterra, você seria capaz de acreditar em mim? Eu sei que a vida te cansa, te arrasta, te soca e que os problemas lhe sugam a energia que te faz querer andar para frente. Sei que você está repleto de cicatrizes que a vida fez. Todos nós estamos. Mas quem garante que mais adiante você não se torne capaz de atravessar a ponte que te separa de viver? Ou que você finalmente consiga a carta de alforria que te liberta da sua escravidão de mágoas e da sua resistência contra suas próprias chances de ser feliz? Porque assim, a gente realmente precisa de um tempo para cair, para descrer, para desistir de tudo, para culpar Deus e o mundo pelos nossos problemas. A gente precisa de um momento de raiva. Mas por favor, não pare no meio da estrada, não fique inerte pelos seus cenários e campos internos. Não destrua com a sua fúria os seus próprios alicerces. Não sinta vergonha de pedir carona para ir em frente em busca da sua meta. Se for preciso, volte, reaprenda o caminho, jogue migalhas no chão para não se perder, chore, caia, pense em desistir, mas depois desista desta ideia. E então escolha: Se vai deixar ser dominado por uma camisa de força costurada pelo cansaço, ou se vai tentar com todas as suas garras encontrar o oásis do seu futuro e se vai seguir e ter forças para recomeçar quando necessário. Pois recomeçar é importante. Recomeçar todos nós também precisamos, porque o acúmulo de erros durante a caminhada requer um novo início, requer uma nova entrada para os acertos. Mas retroceder, não. Retroceder é jogar fora o aprendizado que os erros trazem, é desperdiçar a chance de subir os degraus da vida. Recomeçar é estar preparado para o que vem chegando pelo caminho à frente, enquanto retroceder é perder tempo lamentando os barrancos do passado, é tentar repetir as falhas daquilo que já se foi. Às vezes, a gente só quer extravasar a nossa ira, expressar o nosso acesso de raiva devido ao acúmulo de peso nas costas, que muitas vezes achamos até que nem são verdadeiramente nossos.
drica

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

POR ONDE ANDA ?BARROS DE ALENCAR

BARROS DE ALENCAR POR ONDE ANDA ? Atualmente está participando do programa Kaká Siqueira na Rádio Record AM (1.000 kHz - São Paulo/SP), onde apresenta o quadro "Momento Barros de Alencar". BREVE HISTÓRICO: Comunicador, radialista, cantor e apresentador de TV. Paraíbano da cidade de Uiraúna, nasceu no dia 5 de agosto. Começou na Rádio Borburema, em Campina Grande - PB. Depois passou por Recife, Fortaleza e Belo Horizonte até chegar a cidade de São Paulo. Na Capital paulista passou pela antiga Rádio Tupi de São Paulo, Record e América. Na década de 80, comandou seu programa na TV Record, levando ao ar os grande sucessos musicais da época.

Povos indígenas no estado de Rondônia, fotos inéditas dos índios isolados do Acre

Povos indígenas no estado de Rondônia
Aikanã, Ajuru, Amondawa, Arara, Arikapu, Ariken, Aruá, Cinta Larga, Gavião, Jabuti, Kanoê, Karipuna, Karitiana, Kaxarari, Koiaiá, Kujubim, Makuráp, Mekén, Mutum, Nambikwara, Pakaanova, Paumelenho, Sakurabiat, Suruí, Tupari, Uru Eu Wau Wau, Urubu, Urupá
1-Povo Uru-Eu-Wau-Wau
A população da Terra indígena Uru-Eu-Wau-Wau é composta por vários subgrupos, como: Jupaú, Amondawa e Uru Pa In. Encontram-se distribuídos em 6 aldeias, nos limites da Terra Indígena, por questões de proteção e vigilância. Além destas etnias, há presença de índios isolados como os Parakuara e os Jurureís.
Os Jupaú traduzem sua autodenominação como "os que usam jenipapo". A denominação "Uru-eu-wau-wau" foi dada aos Jupaú pelos índios Oro-Uari.
Muitos foram os nomes atribuídos aos Uru-Eu-Wau-Wau. As denominações Bocas-Negras, Bocas-Pretas, Cautários, Sotérios, Cabeça-Vermelha, são encontradas na historiografia e estão relacionadas ao espaço geográfico ou a se…

MULHER ENTRA NUA EM CABINE DA PM E CONSTRANGE POLICIAIS MILITARES

MULHER ENTRA NUA EM CABINE DA PM E CONSTRANGE POLICIAIS MILITARES EM MANAUS Portal do Holanda