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Por que países ricos do Golfo não abrem portas para refugiados sírios?

Por que países ricos do Golfo não abrem portas para refugiados sírios?

  • 7 setembro 2015
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Foto: AFPImage copyrightAFP
Image captionHomem exibe cartaz com a frase 'Ajude, Europa' enquanto centenas de imigrantes esperavam permissão para embarcar em trens em Budapeste
Milhares de refugiados sírios tentam entrar em países europeus, fugindo da guerra civil que já dura cinco anos.
A imagem de um menino sírio de três anos morto numa praia na Turquia após o barco em que estava com a família ter naufragado na tentativa de chegar à Grécia chocou o mundo e chamou atenção para a crise de refugiados e imigrantes na Europa.
Mas por que os cerca de quatro milhões de sírios expulsos do país pela guerra não buscam asilo nos países ricos do Golfo Pérsico, relativamente próximos e com a mesma religião dominante e língua?
Segundo a Anistia Internacional, 95% dos refugiados sírios estão em apenas cinco países: Turquia, Líbano, Jordânia, Iraque e Egito. A Turquia, com 1,6 milhão de refugiados sírios, e o Líbano, com 1,1 milhão, são os principais destinos.
O número de refugiados sírios abrigados pela Turquia é 10 vezes maior que o número de pedidos de asilo recebidos por todos os 28 países da União Europeia nos últimos três anos.
Oficialmente, sírios podem solicitar um visto de turista ou permissão de trabalho para entrar em países do Golfo. Mas o processo é caro, e há a percepção generalizada de restrições veladas que dificultam, na prática, a obtenção de vistos.
Os sírios que conseguem visto em geral já estavam em países do Golfo e ampliam a permanência, ou fizeram o pedido por terem familiares na região.
A dificuldade gerou críticas de organizações em defesa dos Direitos Humanos.
"Adivinhem quantos refugiados os países do Golfo ofereceram receber?", questionou no Twitter o diretor-executivo da Human Rights Watch Keneth Roth. "Zero", aponta um relatório da Anistia Internacional fazendo referência a cinco países ricos do Golfo: Catar, Emirados Árabes, Arábia Saudita, Kuwait e Bahrein.

Bem vindos?

Sírios necessitam de visto para entrar em quase todos os países árabes. Apenas Argélia, Mauritânia, Sudão e Iêmen permitem a entrada sem visto.
A riqueza e proximidade da Síria levou muitos a questionarem se os países do Golfo não teriam uma obrigação maior que a Europa com os refugiados sírios, que sofrem com o conflito e o fortalecimento de grupos jihadistas no país, como o autodenominado "Estado Islâmico".
Muitos citam ainda como argumento o papel que alguns desses países tiveram na Guerra da Síria. "Em graus variados, grupos na Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes e Kuwait investiram no conflito sírio", diz o jornal americano Washington Post.
"Muitos bancaram e armaram uma constelação de grupos rebeldes e facções islâmicas em luta contra o regime do presidente sírio Bashar Al-Assad."
AFPImage copyrightAFP
Image captionRefugiados e imigrantes têm viajado à pé por dias para chegar ao norte da Europa, especialmente Alemanha
AFPImage copyrightAFP
Image captionFamílias inteiras fogem da guerra civil na Síria, iniciada em 2011
APImage copyrightAP
Image captionApesar de atenção da mídia, maioria de refugiados sírios está em países vizinhos, como Líbano, Turquia e Jordânia
ReutersImage copyrightReuters
Image captionLíderes europeus têm divergido sobre como responder à crise
Mas apesar dos apelos, a posição de países do Golfo não deverá mudar.
A tendência na maioria destes países, como Kuwait, Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos, é permitir a entrada apenas de trabalhadores do sudeste asiático e Índia – particularmente para postos de trabalho pouco qualificados.
Mesmo árabes estrangeiros de qualificação média, de áreas como por exemplo educação e saúde, dificilmente conseguem visto para países como Kuwait e Arábia Saudita, que querem proteger os empregos de seus cidadãos.
Residentes estrangeiros também enfrentam dificuldades para criar vidas estáveis nestes países. já que é praticamente impossível obter nacionalidade.
Em 2012, o Kuwait chegou a anunciar uma estratégia oficial para reduzir o número de trabalhadores estrangeiros no país em um milhão no período de 10 anos.

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