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Ser piloto é isso .


Bons e maus motivos para ser piloto=Resultado de imagem para fotos de avioes grandes

Esse é um assunto polêmico e muito importante, não só para quem está pensando em se tornar piloto, como para quem já é: quais são os bons e os maus motivos para que uma pessoa queira se aventurar no mundo da aviação? Credito tal importância a, principalmente, duas constatações: 1)O elevadíssimo “índice de mortalidade” nos aeroclubes: de cada 100 pessoas que começam o teórico de PP, somente uns 5 ou 6 conseguem checar, e se um deles se tornar piloto profissional, já será muito; e 2)De cada 10 pilotos profissionais que eu conheço, pelo menos 4 estão profundamente insatisfeitos na profissão (uns 6 ou 7, se a amostra for de pilotos da aviação comercial de grande porte, TAM e Gol principalmente). Como entendo que o maior culpado das referidas “mortalidade” e insatisfação estarem no fato de que estas pessoas decidiram entrar para a aviação pelos motivos errados, resolvi escrever este post para tentar enumerar os motivos certos e errados para que uma pessoa se enverede pelas escuras veredas da aviação. Não conheço todos os motivos de insucesso profissional de pilotos – antes, talvez só consiga arranhar a superfície do problema –, motivo pelo qual já aviso previamente que a lista abaixo não é definitiva (na verdade, minha intenção é justamente colher opiniões para chegar a uma lista minimamente abrangente). Por isso, não se acanhe em deixar sua contribuição nos comentários abaixo, ok? – principalmente se você for um aviador experiente. E não se esqueça de colocar, também, a sua justificativa. Também vale corrigir, acrescentar ou subtrair justificativas que eu escrevi inicialmente. Enfim, eu espero que, ao final de um tempo, possa reescrever este post com informações mais apuradas e calcadas na realidade.

Bem, vamos à lista então:
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Os MAUS motivos para se tornar piloto:
1)    “Está faltando pilotos no mercado”
Esta é a causa do aeroclubes estarem lotados atualmente, e uma das razões mais equivocadas para alguém querer ser piloto. Primeiro, porque não está havendo um “apagão de pilotos” de fato, como a imprensa adora noticiar. Depois, porque, mesmo que estivesse, se você não for um bom profissional (e quem quer ser piloto só porque é “um bom negócio” dificilmente será um), não vai encontrar emprego na aviação. Proprietários de aeronaves e companhias aéreas preferem deixar o avião no chão a entregá-lo para um mau profissional. E, ainda na suposição de que estaríamos vivendo um “apagão de pilotos”, é preciso entender que a economia é cíclica – possui altos e baixos –, e se você entra numa época de alta, é certo que em algum momento de sua vida você vai ter que enfrentar a baixa. Logo, seria mais sensato entrar para a aviação numa época de crise, pois aí você pegará a alta mais para a frente.
2)    “Quero ficar rico”
A profissão de piloto pode ser bem ou mal remunerada, dependendo de vários fatores, mas uma coisa é certa: você jamais ficará rico como piloto. Na melhor das hipóteses, você conseguirá ser da classe média, num patamar equivalente a de um funcionário público de nível superior, como fiscal da receita, promotor público, etc. – mas não passa disso. “Ah, mas sei de um piloto que ganha R$30mil/mês, e para mim, quem ganha isso é rico”. É verdade, existem casos de pilotos que ganham salários bem elevados, mas tenha consciência de que são muito poucos. Além disso, esses pilotos só atingiram esse nível salarial no final da carreira, e quando o salário vai subindo lentamente, o padrão de gastos tende a acompanhar, e no fim das contas não se consegue formar um patrimônio milionário. É diferente do caso de uma pessoa que começa ganhando um salário muito alto desde o início da carreira, e que consegue poupar a maior parte da renda por muito tempo. Para entender melhor essa questão, sugiro ler este post aqui.
3)    “Não gosto de estudar, então resolvi ser piloto porque não precisa de faculdade”
Embora seja cada dia mais recomendável, é verdade que não precisa fazer faculdade para ser piloto. Porém, isso não significa que você não precisará estudar muito durante todo o tempo em que exercer a profissão. Sempre que você for voar um avião novo, será necessário fazer novos cursos, e mesmo voando o mesmo equipamento, sempre haverá provas e testes pela frente. A regulamentação prevê a necessidade de provas constantes, e os empregadores exigem muito mais. Na verdade, poucas profissões exigem tanto estudo continuado quanto a de piloto.
4)    “Gosto do glamour da profissão: aeromoças lindas, hotéis 5 estrelas, etc.”
Alguns poucos profissionais – pilotos de linha internacional, comandantes de jatos executivos de altíssimo desempenho, etc. – até desfrutam de um relativo glamour no desempenho de suas funções, mas é bem menos do que parece à primeira vista. De que adianta hospedar-se num hotel 5 estrelas quando você chega para dormir à meia noite, e tem que acordar às quatro e meia da manhã para estar no batente às seis, no aeroporto? Por outro lado, todo piloto acaba dormindo em espeluncas, comendo mal, vivendo precariamente em algum momento da vida. Isso sem contar que, para muitos empregadores, não há muita diferença de tratamento entre um piloto e um motorista…
5)    “Sou um sujeito impetuoso, e gosto de viver a vida perigosamente”
A aviação deveria ser a última profissão para quem tem esse perfil, por dois motivos: i)Os acidentes na aviação estão entre os que têm as piores consequências dentre todos os acidentes relacionados às atividades humanas. Você pode até sair vivo de um acidente de Fórmula 1 ou numa escalada, mas dificilmente sairá vivo de um acidente aeronáutico. E quem tem um comportamento de risco tem grandes chances de se envolver em um acidente, logo… ; e ii)Além de arriscar a sua própria vida, um piloto geralmente arrisca a vida de terceiros (às vezes, centenas deles), no ar e no solo: crianças, mulheres grávidas, pais de família, gente cuja falta pode arruinar famílias inteiras. Isso sem contar com o prejuízo material potencial que um acidente pode causar. Por isso, se sua ideia for a de “viver a vida perigosamente”, aliste-se no Exército dos EUA, e vá servir no Afeganistão, que é muito mais negócio (para a sociedade, pelo menos).
Os BONS motivos para se tornar piloto:
1)    “Tenho aptidão para a aviação”
A melhor profissão que você pode escolher não é necessariamente aquela que você mais gosta, mas a que você faça melhor – muitas vezes, elas coincidem, mas nem sempre. Você pode adorar cozinhar, mas se sua comida não é das melhores, não tente ser cozinheiro. Você pode gostar de voar, mas você tem um bom raciocínio lógico-espacial? Como é sua coordenação motora? Tem medo de altura? É responsável, metódico e disciplinado? Fica enjoado facilmente? Existem inúmeras qualidades que um piloto precisa ter, e o conjunto delas se chama “aptidão”. E, antes, de tudo, é preciso ter uma boa aptidão aeronáutica para poder cogitar ser piloto.
2)    “Gosto do estilo de vida que a profissão de piloto requer”
Tem gente que gosta de voar, tem boa aptidão, mas surta se passa mais que três dias longe da família. Ou, então, se ressente de não ter uma rotina organizada, com hora para entrar e hora para sair do trabalho todo dia. Na verdade, muita gente descobre tardiamente que a profissão de piloto requer um estilo de vida muito peculiar, com muito tempo dedicado à atividade, mesmo que se voe relativamente poucas horas num determinado período. Na aviação comercial, os tripulantes passam a maior parte do tempo fora de casa; e na geral, há uma espécie de sobreaviso permanente. A primeira coisa que um piloto da aviação executiva ganha é um aparelho Nextel, e quando o radinho apita, é preciso largar tudo e correr para o aeroporto – e não é todo mundo que se acostuma a isso. É preciso gostar do estilo de vida que a aviação requer, senão a pessoa será uma eterna insatisfeita.
3)    “Quero ter uma profissão ‘pouco escalável’”
O que é melhor: tentar se jogador de futebol, com 99,9% de chances de não conseguir atuar em times de 1ª divisão; ou estudar para ser dentista, e ter 99,9% de chances de se estabelecer profissionalmente, mesmo que demore um pouco e dê muito trabalho? Sendo piloto, você não vai ficar rico, mas também é pouco provável que você não consiga ganhar um mínimo para sua subsistência – pelo menos, depois que você estiver estabelecido na profissão. Muito embora todo mundo admire (e inveje) os jogadores de futebol, atores da Globo, e mega-empresários, o fato é que a maioria acaba tentando um concurso público, um emprego seguro numa multinacional, ou uma profissão liberal como a de médico ou contador. Isso é ter uma profissão “pouco escalável”, e ser piloto é uma delas. Quer saber mais sobre isso? Então leia isso (é o mesmo link sugerido acima).
4)    “Gosto de estudar e tenho facilidade para aprender sozinho (sou um autodidata)”
Poucas profissões têm a formação tão desestruturada quanto a de piloto. Se você quer ser médico, por exemplo, você entra numa “linha de montagem” na faculdade, que te entrega pronto para a residência, que te coloca no mercado de trabalho. Já na aviação, você estuda quando dá, voa quando dá, vai checando suas carteiras do seu jeito, é tudo muito flexível e o aluno fica muito “largado” no processo. Tem que ter muita iniciativa e disciplina para conseguir se formar, ao contrário da maioria das outras profissões.
5)    “Sou um sujeito cauteloso e disciplinado, e consigo manter a calma sob estresse”
Se você é uma dessas pessoas que “cristalizam” sob intenso estresse, esqueça da aviação. Por incrível que pareça, há vários “comandantes” com milhares e milhares de horas de voo que agem desta forma, e só chegaram a ter tanta experiência porque nunca passaram por situações de estresse intenso antes. Mas quando a hora da verdade chega – e ela acontece, cedo ou tarde –, quem reage mal a uma emergência pode agravar seriamente a situação. Além disso, a cautela e a disciplina são características comportamentais fundamentais para um piloto. Não por acaso, a aviação tem um forte viés militar: a disciplina destes profissionais é realmente importante para um piloto. E a impetuosidade, como já comentado, não é uma virtude na aviação – ao menos para quem quer manter a pele rosada.
Finalmente, um motivo controverso: Ser apaixonado pela aviação é um BOM ou um MAU motivo para se tornar piloto?
Gostar de voar é fundamental para um aviador, sem dúvida; mas gostar demasiadamente, amar loucamente a aviação é recomendável? Ou: até que ponto a “paixão por voar” é saudável para um piloto? A “paixão por voar” pode levar a decisões prejudiciais à carreira, mas voar sem paixão também não é legal. É preciso encontrar um meio termo saudável nessa relação passional que todos nós temos com a aviação.
Bem, meus caros, é isso… Espero a contribuição de vocês para a gente ter um texto bem legal para orientar quem está entrando agora na aviação (ou pretende fazê-lo).
Abraços,
Raul

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