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Doping, Há 300 anos antes de Cristo


 
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 19, Nº 200, Enero de 2015. http://www.efdeportes.com/
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Doping: início e desenvolvimento no esporte
    Os registros do uso das substâncias que melhoram o desempenho físico começaram na antiguidade, com o intuito de comemorar rituais religiosos, celebrar as vitórias das guerras, preparar os atletas para as competições etc.1,2.
    Há 300 anos antes de Cristo, os egípcios iam à guerra sob o efeito da papoula, os vikings aumentavam sua força com a droga bufoteína2. Em 2700 anos antes de Cristo, na China, o imperador da dinastia Cheng, escreveu sobre uma planta local que causava efeito estimulante – tinha efedrina, a Machuang, sendo muito utilizada para aumentar a disposição dos guerreiros no combate, aplicada para aumentar a produtividade do trabalho e recomendada para melhorar a performance dos esportistas chineses3,4.
    Na América do Sul, os povos pré-colombianos mascavam folhas de coca para suportar mais tempo no trabalho pesado2. Os índios da América do Sul também mascavam folhas de coca em suas longas viagens com o intuito de aumentar a resistência e diminuir a sensação de fadiga5. Espanhóis evidenciaram durante a colonização de nativos da América do Sul e Central, esforços extremos com o uso de substância para aumentar o desempenho físico6. Os incas mascavam folhas de coca e conseguiam percorrer por 5 dias uma distância de 1750 km na altitude. Os astecas de Tarahumara, do norte do México, mascavam um estimulante das raízes do cacto, o Peiote, permitindo que eles conseguissem percorrer longas distâncias durante 1 a 2 dias.
    Na Grécia antiga, em três séculos antes de Cristo, os atletas olímpicos tentavam aumentar seu desempenho nas competições ingerindo chá de ervas, cogumelos, comiam testículos de touro e outros6. Talvez tenham sido os atletas gregos os primeiros a utilizar substâncias para aumentar a performance nas competições esportivas.
    O termo doping é para designar uma bebida estimulante utilizada por tribos da África do Sul para rituais religiosos7 ou no momento preparatório antes das batalhas8. Esse termo foi aplicado primeiramente no turfe para acusar o uso ilegal de substâncias proibidas em cavalos que tinham a meta de aumentar a performance. Isso aconteceu no início do século XX. Posteriormente a expressão doping foi aplicada aos outros esportes.
    Nas Olimpíadas de Berlim em 1936, a política nazista da superioridade da raça ariana estimulava os atletas alemães à vitória e disseminou o uso de qualquer artifício que os levasse ao pódio9. Antes e após essa disputa, surgiram suspeitas de doping dos esportistas alemães.
    Na 2ª Guerra Mundial (1939 a 1945), os cientistas alemães sintetizaram a anfetamina para os pilotos de bombardeio noturnos porque aumentava a acuidade visual e mental10. Os soldados alemães que atuavam no campo de batalha faziam uso de esteroides anabolizantes para aumentar a força e a agressividade. Essa iniciativa dos alemães na 2ª Guerra Mundial, dopar seus soldados, foi descoberta fazendo experiências nos presos dos campos de concentração. A maioria dos soldados não sabiam que estavam recebendo essas substâncias para aumentar o desempenho durante o combate, era receitada uma vitamina para os recrutas suportarem melhor os esforços da guerra.
    Após a 2ª Guerra Mundial, vários tipos de doping desenvolvidos pelos alemães e outras nações migraram para o esporte de alto rendimento. Então, preocupada com esse problema, a partir de 1967, a Comissão Médica do COI instituiu um index de substâncias proibidas11. Em 1968 começaram a ser realizados testes antidoping, durante os Jogos Olímpicos do México. Atualmente o controle do doping vem sendo feito regularmente nas disputas, nos Jogos Olímpicos o caso de doping vem sendo detectado ao longo dessa competição12. A figura 1 mostra a quantidade de testes nos Jogos Olímpicos e a figura 2 os casos de doping detectados na competição Olímpica.
Figura 1. Quantidade de testes antidoping em várias edições dos Jogos Olímpicos de Verão

Figura 2. Doping detectado em várias edições dos Jogos Olímpicos de Verão
    Apesar do caso de doping ter diminuído na Olimpíada de 2012, realizada em Londres, nem sempre é possível detectar as novas drogas, sendo fundamental educar os atletas e treinadores para evitar as substâncias proibidas com intuito de banir esse ato antiesportivo das competições.
Referências
  1. McArdle W, Katch F, Katch V (2011). Fisiologia do exercício: nutrição, energia e desempenho humano. 7ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara.
  2. Vizzolto S (1988). A droga, a escola e a prevenção. 2ª ed. Petrópolis: Voze.
  3. Negrão C, Barreto A (2010). Cardiologia do exercício. Barueri: Manole.
  4. De Rose E et al (2006). Informações sobre o uso de medicamentos no esporte. 5ª ed. Rio de Janeiro: COB.
  5. Astrand P-O, Rodahl K (1980). Tratado de fisiologia do exercício. 2ª ed. Rio de Janeiro: Interamericana.
  6. Weineck J (1991). Biologia do esporte. São Paulo: Manole.
  7. Platonov V (2004). Teoria geral do treinamento desportivo olímpico. Porto Alegre: Artmed.
  8. Ghorayeb N, Dioguardi G (2007). Tratado de cardiologia do exercício e do esporte. Rio de Janeiro: Atheneu.
  9. Tubino M. (2001). Dimensões sociais do esporte. 2ª ed. São Paulo: Cortez.
  10. Bahrke M, Yesalis C (2002). Performance enhancing substances in sport and exercise. Champaign: Human Kinetics.
  11. Guillett R et al (1983). Manual de medicina do esporte. São Paulo: Masson. 
  12. International Olympic Committee (2014). The fight against doping and promotion of athletes´ health. Lausanne: COI.

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