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Engraxate de terno e gravata sustenta a família, em Manaus

Engraxate de terno e gravata sustenta a família, em Manaus

Johnny Walker, de 25 anos, podia ser apenas mais um engraxate comum, mas ele resolveu trabalhar nas ruas de terno

    Vários clientes são fieis ao engraxate, que fatura alto
    Vários clientes são fieis ao engraxate, que fatura alto (Sérgio Fonseca JR/Freelancer)
    Dizem que uma boa aparência abre portas. E foi nisso que o personagem da coluna “Não Crisa” desta semana acreditou. O engraxate Constantino Johnny Walker começou a trabalhar com 10 anos de idade como reparador de carros, na praça do Eldorado, e depois de ver um amigo com uma caixa de engraxate, resolveu que também ia trabalhar engraxando sapatos.
    Johnny se vestia com roupas simples, geralmente calça, chinelo ou tênis e camiseta, até que um dia as palavras de uma garota fizeram ele mudar o visual. “Uma garota me disse que nunca ninguém ia namorar comigo porque eu era engraxate e me vestia daquele jeito, então eu decidi que ia me tornar o melhor engraxate de Manaus”, lembrou Johnny.
    Depois, ele perguntou de um cliente que usava terno porque ele se vestia daquele jeito, e o cliente respondeu que era porque o trabalho exigia uma boa apresentação. Então, Johnny disse ao cliente que queria se vestir bem também e acabou presenteado com um terno dado pelo cliente.
    Se vestindo bem, o engraxate viu o número de clientes crescer e assim conseguia ajudar a sustentar a casa. “Meu padrasto reparava carros e eu fazia serviço de engraxate, e com o dinheiro que ia ganhando conseguia ajudar em casa”. Com o tempo, ele se tornou referência para outros meninos do local, que começaram a também se vestir melhor para conquistar a clientela.
    Virada na vida
    Com o trabalho de engraxate, Johnny Walker, que já tem nome de famoso, conseguiu mudar de vida. Ele chegou a faturar mais de R$ 2 mil em um dia de trabalho. Com isso, ele voltou a estudar e viajou para diversos estados para fazer cursos sobre sapatos; como tratar cada tipo de couro, curso de restauração de sapatos, bolsas e carteiras. “Naquela época trabalhava muito, chegava a ficar na rua mais de 12 horas por dia para faturar bastante”, lembra.
    Hoje, Johnny além do trabalho de engraxate, também exerce a profissão de corretor de imóveis. “Tudo que consegui foi engraxando sapatos. A maioria dos meus clientes são pessoas ocupadas e eu atendo todos em domicílio ou no local de trabalho deles”, explicou.
    Em breve, ele pretende abrir na cidade uma “engraxataria” para atender melhor os clientes.
    “Existem poucos engraxates em Manaus, muitos garotos que começam cedo, acabam indo para o caminho das drogas e outros não têm oportunidade”, diz o jovem de 25 anos, que ainda procura incentivar os mais novos a serem bons profissionais.
    Nome ajudou na carreira
    O engraxate tem um nome incomum, dado por um tio que gostava da marca de bebida e achava o nome bonito. “Ele gostava de dizer esse nome”, contou. Mas quem pensa que o nome diferente foi motivo de vergonha para Johnny, se engana. Foi por ter esse nome que o engraxate também se destacou. “Me vestindo bem e com um nome diferente todo mundo acabava me conhecendo”. O estilo diferenciado do jovem fez com que ele participasse de comerciais de TV e conquistasse clientes importantes como empresários, advogados e até governadores, senadores e deputados.
    *Com informações da assessoria de imprensa

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