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Portugueses em Paris: “Metam-se em casa que eles andam por aí aos tiros”

Portugueses em Paris: “Metam-se em casa que eles andam por aí aos tiros”

São muitos os portugueses que, esta noite, estiveram no meio dos ataques terroristas. Ao Observador, alguns descrevem os momentos de medo e consternação que viveram (e ainda vivem).
DOMINIQUE FAGET/AFP/Getty Images
Sexta-feira 13. França está em estado de emergência depois de um conjunto de ataques terroristas. São milhares os portugueses que vivem naquela que é conhecida como a capital das luzes e que, esta sexta-feira, ficou à escuras. O Observador falou com portugueses que relatam como ficaram barricados no interior de restaurantes assim que surgiram as primeiras notícias dos ataques e outros como viram à distância, no conforto de suas casas, a cidade entrar em estado de sítio. Aqui ficam algumas das histórias.

“Ficámos tão nervosos que nem acabámos de comer”

Virgínia da Conceição, 35 anos, estava a jantar com o namorado e um casal de amigos num restaurante quando recebeu notícias dos ataques em Paris. “Ficámos tão nervosos que nem acabámos de comer”, conta ao Observador. Com receio do que lhe pudesse acontecer, prontificou-se a abandonar o estabelecimento porque, diz, não é seguro estar na rua.
A designer portuguesa a viver há 15 anos em Paris descreveu um ambiente de medo e contou que tinha amigos barricados em restaurantes vizinhos ao estabelecimento de cozinha asiática onde os primeiros incidentes ocorreram. “Dizem que andam gajos de carro a matar pessoas nuns bares e nuns restaurantes.” 
Ainda há dois anos era Virgínia quem viva na zona dos primeiros ataques, 10º arrondissement, e que frequentava o restaurante ligado ao primeiro ataque terrorista. 

“Hoje ninguém vai dormir”

“Apercebi-me através da televisão. Primeiro vi a informação do ataque no restaurante e, depois, comecei a ver um movimento anormal de carros de polícias na rua”, relata Vítor Borges. O porteiro de 54 anos mora ao lado do Bataclan, a sala de espetáculos onde mais de uma centena de pessoas morreram na noite de sexta-feira. Quando Vítor saiu para perceber o que se passava, deu conta que uma parte da rua estava fechada e que alguma polícia, não muita, estava no local. Foi precisamente nesse momento que ouviu os primeiros tiros.
Ao disparo sonoro de armas de fogo seguiu-se a chegada de mais agentes da autoridade, que começaram a alargar o cordão de segurança. “Os polícias começaram a correr para nós, a dizer para irmos para casa que, estando na rua, podíamos ser atingidos. ‘Eles andam aí. Metam-se em casa que eles andam por aí aos tiros'”, descreve o português que, perante isto, não teve outro remédio senão voltar para o interior da sua habitação. Mas mesmo entre quatro paredes, Vítor Borges conseguiu recolher informações e foi assim que ficou a par da história da rapariga que sobreviveu ao ataque no Bataclan ao esconder-se debaixo de um cadáver — “Ela conseguiu fugir do Bataclan, embora ferida de um pé”. 
Vítor, o porteiro, tem dois filhos. Um deles é chef num restaurante muito próximo do Bataclan e, por isso, não ficou imune aos acontecimentos da sexta-feira 13. “Estavam duas pessoas [clientes do restaurante] a fumar cá fora e, quando se aperceberam do que se passava, entraram pelo restaurante adentro, derrubaram mesas, fecharam as cortinas [metálicas] e esconderam-se na cave. Estiveram com as cortinas fechadas durante duas horas”, conta ao Observador. “Já o Bataclan tinha sido evacuado e havia pessoas a recusarem-se a sair do restaurante.
Esta não é a primeira vez que Vítor Borges está frente a frente com ataques terroristas em França. A sede do Charlie Hebdo, o jornal que foi atacado em janeiro, é relativamente perto da casa do português que, aquando dos primeiros tiros, estava no quintal das traseiras. Ao início pensou tratar-se apenas de petardos, mas foi quando se deslocou ao passeio à frente de sua casa que viu o polícia deitado no chão, morto pelos terroristas ligados ao Estado Islâmico. “É muito assustador uma pessoa sentir isto de tão perto… Hoje ninguém vai dormir.” 

Português fechado em restaurante: “Como é que vamos sair daqui?”

Tiago Marques está a passar o fim de semana em Paris e agora não sabe como regressar. Estava no centro da cidade, num restaurante e ainda de lá não saiu. “A situação está muito tensa. Fecharam as cortinas e recolheram as pessoas todas cá dentro, é um restaurante que dá para a rua, veem-se passar as ambulâncias e a Polícia. As pessoas estão todas agarradas ao telefone”.
Onde Tiago está não foi possível ouvir as explosões, mas a cidade está toda em estado de sítio e a dificuldade acresce para quem está dependente de transportes públicos ou de táxis: “A principal questão é como sair daqui. O restaurante já se esvaziou, houve pessoas que saíram porque tinham carro próprio, quem está dependente de táxis, está fechado”, conta. Apesar da situação, Tiago diz: “Há seguranças lá fora e por isso temos a sensação de estar seguros”.

“Parece que já estamos habituados a isto”

Em dezembro de 2012, Sílvia Vaz Guedes fez o caminho de tantos outros portugueses (meio milhão). Fez as malas e emigrou para França à procura — tal como se costuma dizer — de uma vida melhor. “Estava em casa e nem tinha a televisão ligada. Só me apercebi quando comecei a receber os tweets e as mensagens de toda agente. Liguei para o emprego para saber se estão todos bem.” Sílvia trabalha num hotel vizinho ao local do primeiro ataque. 
Aos 46 anos, a portuguesa estaria de longe de imaginar uma vida de receio. Sílvia, que estava em casa quando se apercebeu dos atentados em Paris, diz que “andar nos transportes públicos em Paris é ir atenta”, referindo-se ao medo que atualmente se vive na cidade. “Por incrível que pareça, já não é… Claro que é um choque, mas parece que já estamos habituados a isto. É triste dizer isso. Não nos surpreendemos.”
“Se vivesse em Paris [a portuguesa vive nos arredores da capital] teria medo de sair à rua. As coisas mudaram muito depois do Charlie Hebdo.”

“Há atiradores no telhado”

“As indicações são para não andarmos na rua, pois parece haver ruas onde há atiradores [alegados terroristas] nos telhados”, dizia ao Observador Carla Costa Reis. Carla, 35 anos, está de férias em Paris, onde tencionava ficar até domingo.
Depois de ter ficado temporariamente barricada num restaurante a quatro quilómetros do local do primeiro atentado, conseguiu chegar a casa e aperceber-se do som das sirenes que invadiam as ruas. Mas, agora, o problema vai ser chegar a casa: “Esta tarde recebemos a notícia que tinham suspendido o acordo de Schengen e como não temos aqui o passaporte, não sabíamos se nos iam colocar problemas em voltar para Lisboa. Agora com isto só fica mais complicado.O Holande acabou de decretar o fecho de fronteiras, não sei como vamos poder sair”
“O ambiente é de consternação e desorientação. Ninguém sabe muito bem o que se passa. Estão todos agarrados ao telemóvel, a falar com a família e a tentar ver as notícias”, contou.

“Sinto medo de sair à rua”

Catarina Alberto vive perto do estádio onde ocorreu um dos ataques, mas estava em casa quando as bombas explodiram. Ainda antes de se aperceber do sucedido, já a mãe lhe ligava de Portugal, com a preocupação a marcar o tom de voz. Catarina, de 29 anos, diz que não viu nada “efetivamente”, mas nem por isso deixa de sentir o medo que, desde os ataques ao Charlie Hebdo, tem vindo a aumentar exponencialmente. 
“Sinto medo de sair à rua. Já estava cá em janeiro, quando aconteceu o Charlie Hebdo, mas aí o ataque foi direcionado. Neste momento falam em três pontos de ataque, ataques avulso, ao público em geral. A salas de concertos e a restaurantes”, conta ao Observador, dando a entender que os alegados terroristas estão a vencer a batalha do terror psicológico.
“Já não há sítios em segurança. Vou apanhar o comboio todos os dias para ir trabalhar, não há nada que eu possa fazer. Amanhã tinha previsto ir para Paris [a portuguesa vive nos arredores da cidade], mas já não vou.”Catarina Alberto recorda ainda que, aquando dos ataques em janeiro, os militares saíram à rua para zelar pela segurança dos parisienses. “Sentimo-nos em segurança, sim, mas é suposto vermos militares na rua?”, pergunta.

“Em dez meses vivi dois ataques terrosristas de perto”

Fernando estava no metro de Paris quando se deram os primeiros ataques. Debaixo da terra não sabia o que se estava a passar na cidade de Paris. Não chegou a ouvir as explosões nem os tiros e só soube do que se estava a passar quando chegou a casa, em Montrouge, já fora da capital francesa. A mulher esperava-o preocupada. Chegou em segurança, naquela zona tudo está “calmo e sereno”.
Fernando abandonou o bar onde costuma encontrar-se com os colegas de trabalho cerca de 10 minutos antes dos ataques. Esse bar situa-se próximo de um dos locais afetados e os amigos de Fernando ainda estão, neste momento, “barricados no prédio da empresa” onde trabalha: “Estou longe de qualquer perigo, mas toda a gente está de algum modo assustada e chocada com tudo o que se está a passar”.
Não é a primeira vez que Fernando se confronta com ataques em França. O português mudou-se para Paris há cerca de três anos e seis meses e viveu de perto os ataques ao Charlie Hebdo: foi à porta da sua casa que um polícia foi atingido no dia depois do ataque à redação do jornal satírico. O prédio onde vive chegou a ser vasculhado, já que a polícia suspeitava que o autor do ataque ainda estava na região. Passaram dias até descobrirem que ele se teria escapado para a zona de Vincennes. Por causa da proximidade, Fernando diz que os ataques do início do ano foram “mais complicados”, mas hoje o português volta a questionar a opção de trabalhar em Paris: “Particularmente quando dois ataques terroristas ocorrem próximos de mim: um onde vivo e outro de onde trabalho, num espaço de 10 meses”, diz.

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