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Atenção: O Rádio Vai Acabar!

Atenção: O Rádio Vai Acabar!


Eu tinha 20 anos e alguns fios de barba quando entrei pela primeira vez numa redação de Rádio. Era na Nacional e o jornalismo estava em greve. Para fazer uma ligação para Niterói era preciso esperar 1h40m. Os teletipos, por onde chegavam as notícias nacionais e internacionais, faziam um barulho tão grande que eles ficavam numa sala separada e à prova de som. Os colegas mais antigos (todos eram mais antigos) me perguntavam por que eu queria trabalhar em rádio, já que o rádio estava acabando.
Logo depois eu fui para a Rádio Globo. O departamento de jornalismo funcionava numa sala suja e escura no quarto andar do prédio do jornal. O diretor, o chefe de reportagem, o redator e os dois repórteres – isso mesmo, os dois repórteres sentavam lado a lado. A sala onde funcionava o departamento de jornalismo tinha 4m x 4m. Um dia visitei a Tupi e levei um susto: uma emissora escura, mal cuidada, equipamentos velhos, móveis rotos. Mas pra que melhorar, se o rádio estava acabando?
Hoje, quarenta e dois anos depois (estou com 62) a Rádio Globo funciona em dois prédios na rua do Russel. Estão lá até hoje as três árvores que eu plantei e ainda o meu filho Bruno. Os equipamentos são os mais modernos, as salas são claras e confortáveis, os repórteres estão por todos os cantos – do Brasil e do mundoe existe um grande ambiente de respeito e profissionalismo. A Globo tem até helicóptero.
A Tupi em nada lembra aquela coisa escura e mal cuidada. A rádio modernizou-se e tornou-se pioneira em vários aspectos, como nas transmissões em FM, nas câmeras colocadas à disposição dos ouvintese em outras inovações. Através de seu site –indicado ao Prêmio Escola de Rádio – os ouvintes podem recuperar a programação que perderam. A Tupi tornou-se uma fábrica de bons profissionais. Outro dia o repórter Sérgio Américo entrou no ar e eu perguntei se ele não tinha viajado com o time do Flamengo, que ia jogar no sul do Peru. Sergio Américo estava lá. É que o som estava tão limpo que eu pensei que ele estivesse no estúdio ao lado.
Assim tem acontecido com a FM O Dia, com a BEAT98, com a MPB, com a Band News, com a CBN, que se multiplicou pelo país, com a Transamérica e a Bradesco, que mergulharam no mundo do esporte e a Nativa, com um público incrivelmente fiel e tantas outras emissoras. O rádio hoje está nos celulares e está no mundo. Dia desses uma ouvinte pediu um remédio na Tupi e ligou um ouvinte da França! Em seguida ligou outro, também da França, onde o medicamento pedido era comum. São todas emissoras modernas, ágeis, responsáveis, com profissionais de renome e que crescem a cada dia.
É bom ouvi-las. Porque como me disseram há 42 anos, o rádio está acabando…
por Maurício Menezes
Texto Rádio em Revista 

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