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No Djibuti, são as mulheres a desbravar caminho

No Djibuti, são as mulheres a desbravar caminho

A chegada da selecção de sub-17 à final da Taça da Arábia é a maior proeza da modalidade no Djibuti. E uma brisa de esperança.
DR
O passado 20 de Fevereiro foi um dia de movimentações pouco habituais no aeroporto Djibuti–Ambouli, situado a 6km da capital do Djibuti. À espera de um voo da Qatar Airways estava uma multidão que misturava cidadãos de diferentes estratos sociais, representantes do Governo, das estruturas desportivas e até do aparelho militar. Quem viajava a bordo do avião? A selecção nacional feminina de sub-17 – ou, para se perceber a raiz do alvoroço, as autoras da maior proeza da história do futebol djibutiano até à data.
Primeiro, o contexto. A República do Djibuti, pequeno país do nordeste africano com pouco mais de 800 mil habitantes, tem tido demasiados fogos para apagar ao longo da sua história para poder centrar-se no desporto. Dois anos depois de, em 1977, ter sido declarada a independência do território (esteve durante largos anos sob alçada francesa), foi criada a Federação Djibutiana de Futebol (FDF). Uma quase necessidade num país onde o futebol é o desporto-rei e uma das poucas válvulas de escape para um quotidiano de instabilidade e pobreza (a taxa de desemprego ronda os 45%).
A falta de capacidade de investimento reflecte-se não só na ausência de infraestruturas (só há um estádio homologado pela FIFA, o El Hadj Hassan Gouled Aptidon, em Djibuti, com 10.000 lugares), mas também no paupérrimo nível da competição interna (o campeonato, formado por 10 clubes, disputa-se desde 1987) e no fracasso das esporádicas aventuras internacionais da principal selecção. 
O palmarés é de tal forma modesto que a equipa nacional masculina, que começou a competir em provas oficiais em 1998, nunca se qualificou para a Taça das Nações Africanas (e muito menos para o Campeonato do Mundo) e nunca passou da primeira ronda na Taça CECAFA, competição que reúne as selecções dos países da África Central e Oriental. De resto, só por uma vez o Djibouti venceu uma partida oficial – foi em Novembro de 2007 e a vítima foi a vizinha Somália (1-0), no arranque da fase de qualificação para o Mundial.
Não é de estranhar, por isso, que a campanha da selecção feminina de sub-17 tenha causado tanto impacto num país habituado a averbar derrotas pesadas (em 60 jogos, os seniores masculinos encaixaram 240 golos, numa média de quatro por partida). Na primeira edição da Taça da Arábia para mulheres abaixo dos 17 anos, disputada no Qatar, em Fevereiro passado, a selecção do Djibuti assumiu-se como a grande surpresa da prova, rompendo todas as previsões.
Impulsionada pelos métodos da treinadora Fadumo Moussa Dirie, a jovem formação djibutiana foi segunda no Grupo A, com uma vitória (4-0 ao Qatar) e um empate (2-2 com o Líbano) e impôs-se à Palestina nas meias-finais (1-0). O reencontro com o Líbano, na final, terminou com uma derrota (0-1), mas a verdade é que a história já tinha sido escrita. A aposta do presidente da FDF, eleito em Novembro de 2012, começava a dar frutos. 
Com o apoio da FIFA, Souleiman Hassan Waberi pôs em marcha vários programas de desenvolvimento do futebol feminino, que desde 2013 passou a contar com um campeonato nacional, formado por 10 equipas. As jovens entre os 14 e os 16 participam agora regularmente em torneios escolares e foi a partir dessa base que foi composta a selecção de sub-17.
Para além de arrecadarem um prémio monetário (cujo valor não foi revelado), as vice-campeãs da Taça da Arábia 2015 foram recebidas com honras de Estado. E com a esperança, traduzida pela voz de Waberi, do início de uma nova era no futebol do país.
Planisférico é uma rubrica semanal sobre histórias de futebol e campeonatos periféricos

Comentários

  1. Até 2000 Djibuti foi assim , Soldados estrangeiros se divertem nos bordéis de Djibuti

    Por Kieran Murray

    DJIBUTI (Reuters) - Nem o Islã, nem mesmo a Aids conseguem deter o movimento no pequeno bairro da luz vermelha de Djibuti, uma quieta cidade portuária próxima à entrada do mar Vermelho.

    Seus bares e clubes sobreviveram a sucessivos golpes de Estado e quedas de governos.

    Tropas francesas e legionários estrangeiros sustentam aqui um exército de prostitutas vindas de todas as partes da África, ofendendo muitos locais mas injetando dinheiro na economia desse pobre país islâmico.

    Cerca de 2.500 legionários e soldados franceses estão baseados em Djibuti, que só obteve sua independência de Paris em 1977 e que, desde então, conta a força do Exército de seus colonizadores como proteção contra os perigos dessa turbulenta região africana.

    Apesar de marinheiros e alguns locais frequentarem também o bairro da luz vermelha, são os legionários e os soldados os que bebem mais e por mais tempo.

    Os bares tocam uma mistura de dance music, tecno francês e reggae, mas eles parecem dançar do mesmo jeito ao som de todos os ritmos, pulando e chocando-se uns contra os outros nas pequenas pistas de dança.

    Ao redor, prostitutas de Djibuti e de países vizinhos como Etiópia, Eritréia e Somália enfileiram-se, encostadas nas paredes ou no bar, observando com expressão divertidas os rituais masculinos de dança.

    "Há tantas garotas aqui, por que eles dançam uns com os outros?", perguntou Sara, 20, que há dois anos mudou-se do norte da Etiópia para a cidade. "Mas ainda é cedo. Mais tarde eles virão até nós."

    E eles vão mesmo. Horas depois da meia-noite, em outro clube cheio e barulhento, três legionários estão esparramados nos sofás, seus braços tatuados ao redor de prostitutas etíopes.

    Soldados dançam com outras garotas ou fazem planos para o resto da noite.

    O governo já tentou erradicar o bairro da luz vermelha, mas os bares sempre encontram uma maneira de contornar as leis.

    Quando as autoridades disseram que bebidas alcoólicas só poderiam ser vendidas em clubes privados, restaurantes ou hotéis, os bares rapidamente trocaram as placas em suas fachadas, instalando neons com a inscrição "Restaurante".

    Em outubro passado, o governo fechou cerca de 40 "bares ilegais", dizendo que eram focos de prostituição, tráfico de drogas, brigas e pedofilia. Prostitutas etíopes foram colocadas em trens e mandadas de volta para casa e o centro de Djibuti passou a ser silencioso novamente após anoitecer. O Sheraton, maior hotel do local, tornou-se o único lugar onde se vendia cerveja.

    Isso durou poucos meses. Aos poucos, as prostitutas voltaram e os bares e discotecas reabriram. Os donos de clubes noturnos argumentam que Djibuti e seu governo, gostem ou não, necessitam do bairro da luz vermelha.

    "Olhe para a economia deste país. São apenas os franceses que a mantêm funcionando", disse um etíope proprietário de discoteca. "Essa área cria empregos e gera dinheiro e impostos para o governo."

    Nem mesmo a epidemia de Aids detém as atividades no bairro. Djibuti tem um dos maiores índices de casos do vírus entre jovens do mundo. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que 13,9% das mulheres e 8,8% dos homens de entre 15 e 24 anos estejam infectados com o HIV. A porcentagem entre as prostitutas é muito mais alta.

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