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História do rádio no Amazonas

RENAN ALBUQUERQUE*
A história do rádio no Amazonas aponta que esse instrumento técnico comunicacional teve contribuição significativa para as pessoas dos mais longínquos lugares do Estado. O rádio era o xodó dos amazonenses e continua sendo o meio de comunicação mais utilizado por pessoas do interior. Sua contribuição para o desenvolvimento do Amazonas é indiscutível. Mesmo à distância dos grandes centros e tendo passado por várias revoluções científicas que se sucederam, o rádio resistiu.
A pesquisa na área do rádio no Amazonas é restrita. São poucas as pessoas que estudam o veículo. Por isso, existe dificuldade grande para estudantes de comunicação social explorarem esse tema em razão da escassez de títulos que abordam o rádio nas bibliotecas locais. Uma iniciativa excelente parte de alguns pioneiros no estudo sobre rádio no Amazonas, como Ierecê Barbosa, Luiz Eugênio Nogueira, Gilson Monteiro, Walmir Albuquerque e por que não dizer também Edilene Mafra, que vem pesquisando o rádio de modo efetivo recentemente. São pessoas que, por meio de suas investigações, contribuem para o fortalecimento de referências sobre a história desse meio.
O Amazonas veio a conhecer o rádio um pouco mais tarde do que se deu a primeira transmissão, em 1922 no Rio de Janeiro. Na época, o Estado passava por um momento difícil com a quebra do monopólio da borracha — que era a principal fonte econômica da região. Em 1925, Ephigênio Salles chega ao Governo do Amazonas com a esperança de dias melhores para população, então castigada com a crise econômica. E foi um dos governantes que deu uma atenção especial para a área da radiodifusão no Estado.
De acordo com dados da Revista Caros Amigos, 2013, p. 24, “[…] em abril de 1927, uma rádio Marconi de ondas Curtas começa a funcionar num prédio recém- inaugurado da empresa AmazonTelegraph. O objetivo principal era difundir no interior cotações de produtos naturais, horários de barcos e outras informações de utilidade pública, além de divulgar realizações do Governo. A Voz de Manáos, como a rádio virá a ser conhecida, enfim inaugura a Era do Rádio no Amazonas”.
O rádio no Amazonas no início prestava um serviço comunitário de utilidade pública para as pessoas que saiam e chegavam a Manaus. Como a revista aponta, o rádio era responsável em informar horários de barcos e divulgar produtos e serviços para as cidades do interior. Até mesmo a promoção de empresários e políticos da época era feita.
Uma experiência de rádio comunitária no Amazonas ocorreu no município de Tefé, a 523 quilômetros de Manaus. Trata- se da Rádio Xibé, criada em 2006 a partir do Centro de Mídia Independente (CMI) de Tefé, via iniciativa de alunos da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A rádio funcionava respeitando normas que regem o serviço de radiodifusão comunitário e proporcionando integração da comunidade através de músicas, notícias, poemas e entrevistas.
O professor de Antropologia da UEA Guilherme Figueiredo, um dos que tiveram a iniciativa da criação da rádio, aponta que a preocupação central “não era aumentar a audiência, mas proporcionar oportunidade para qualquer pessoa se tornar produtora de performances radiofônicas (Clay, 2013, p. 31). Isso sim é o verdadeiro papel da rádio comunitária, e essa iniciativa com certeza vale a pena continuar a se expandir.
Atividades como essas ajudam na transformação cultural dessas pessoas que moram nessas localidades distantes e firmam esse meio comunicacional como um dos mais efetivos no interior do Estado.
*Colaborou Wérrison Simões, estudante de jornalismo da Ufam/Parintins

Renan Albuquerque é professor e pesquisador do colegiado de jornalismo da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e desenvolve estudos relacionados a conflitos e impactos socioambientais entre índios waimiri-atroari, sateré-mawé, hixkaryana, junto a atingidos pela barragem de Balbina e com assentados da reforma agrária.

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