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Paraenses selecionados pelo Bolshoi

Paraenses selecionados pelo Bolshoi viajam para Santa Catarina

Em meio à bagagem de mão, abraços apertados e lágrimas que já sinalizavam saudade, ainda restou tempo para as últimas fotografias

Portal Amazônia, com informações da Agência Pará

Já era madrugada deste sábado (21) quando, em meio ao vai e vem de passageiros de vários destinos no mundo, os jovens bailarinos paraenses Ana Clara, Tayssa, Ágatha e Matheus se despediam de familiares e amigos no saguão do Aeroporto Internacional de Belém para embarcar nesta que talvez seja a realização de um dos seus maiores sonhos: estudar na mais renomada escola de dança do mundo, o Ballet Bolshoi, por onde passaram, desde 1776, grandes nomes da dança como Tchaikovsky, Rachmaninov, Gorsky, Prokofiev, Grigorovich e Vasiliev.
Em meio à bagagem de mão, abraços apertados e lágrimas que já sinalizavam saudade, ainda restou tempo para as últimas fotografias e os derradeiros conselhos antes que os corajosos artistas comecem a enfrentar a criteriosa jornada de estudos na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, localizada na cidade de Joinville, estado de Santa Catarina.

 

Foto: Cláudio Santos/Agência Pará


Em outubro de 2016, após disputarem 48 vagas com mais de 2.500 crianças e jovens de todo o país, que se inscreveram nas pré-seleções 2017, os quatro estudantes e suas famílias receberam apoio do Governo do Pará, por meio da Fundação Pro Paz, para a concretização de seus sonhos.
A menina Ana Clara Costa ganha um destaque especial. Com apenas 11 anos, ela representará não somente o Pará no Bolshoi, mas também a Fundação Pro Paz, pois foi no programa Pro Paz nos Bairros, polo da Sacramenta, localizado na periferia de Belém, que teve a primeira oportunidade na dança e se tornou exemplo de uma das políticas públicas executadas pelo Governo do Pará reconhecida internacionalmente pela Organização das Nações Unidas (ONU) como prática exitosa para e prevenção da criminalidade na América Latina.
Para a jovem e sua família, o momento é de agradecimento. “Cheguei ao Pro Paz porque meus pais se preocuparam em não me deixar desocupada quando tinham que trabalhar e nunca imaginei que essa fundação fosse me abrir as portas do mundo e significar uma mudança de vida para minha família”, declarou emocionada a menina.
Já para sua mãe, a diarista Maria Antônia Costa, 48, “a ficha ainda não caiu. A distância é longa e a saudade vai ser grande, mas não será maior do que o sonho da Ana, que também passou a ser o nosso sonho”.

 

Foto: Cláudio Santos/Agência Pará


A região Metropolitana de Belém possui seis polos do programa Pro Paz nos Bairros, com ofertas de aulas de dança, teatro, música e esporte, em diversas modalidades, conforme explicou o presidente da Fundação Pro Paz. “É uma política pública gratuita, qualquer criança e adolescente pode participar, basta ter a disposição de uma família comprometida com a educação do seu filho, que a gente oferece uma política pública com acompanhamento psicossocial, ligando a outras políticas públicas do Estado. Os polos estão de portas abertas”, destacou Jorge Bittencourt.
“Enquanto Secretaria de Integração de Políticas Sociais, unimos esforços. Esforço do Pro Paz e de outras secretarias para que, por meio do Governo do Pará, consigamos garantir a manutenção do projeto e continuemos incentivando essas crianças a alcançar seus sonhos”, destacou a titular da Secretaria Extraordinária de Integração de Políticas Sociais (Seeips), Izabela Jatene.
A história de milhares de brasileiros, iniciada em projetos sociais ou escolas de dança de todas as regiões do país, se confunde com a contada por Matheus Lima, 15. De família humilde, moradora do bairro de Águas Brancas, município de Ananindeua, localizado na Região Metropolitana de Belém (RMB), foi o cinema que mostrou ao adolescente a magia do ballet. Em casa, ainda menino, ao chegar da escola, assistiu ao filme americano Cisne Negro - que mostra as dificuldades e as superações enfrentadas por uma jovem bailarina através da dança – e se interessou pela arte.
“Lembro da cena em que a Nina (protagonista do filme, interpretada pela atriz Natalie Portman) se transformava no cisne e achei lindo. A partir daí fui pesquisar se meninos também podiam dançar. Comecei a assistir vários vídeos e descobri que conseguia fazer alguns passos, então uma tia me levou a uma escola de dança do meu bairro, onde de fato passei a ter aulas”, rememorou Matheus, que tem outras duas irmãs mais novas e que só ganhou o apoio da família recentemente, antes de viajar. “O curioso é que sempre sonhei com o Bolshoi e no meu primeiro teste, graças ao Studio de Danças Lucinha Azeredo consegui ser selecionado, mas que sem o apoio do Governo do Pará, por meio do Pro Paz, seria difícil de realizar”, reiterou.


A pequena bailarina Tayssa de Souza, 11, moradora do bairro Mangueirão, deu seus primeiros passos no ballet para se distrair após seu pai, militar do Exército Brasileiro, embarcar em missão ao Haiti. “Eu tinha só seis anos e sentia muita falta do meu pai, então minha mãe me matriculou numa escola de dança de Ananindeua. Estou muito nervosa, mas esse é meu sonho: pegar meu diploma e ganhar a vida com a dança”, explicou.
Já para a filha única Ágatha Silva, 11, que começou a dançar com sete anos, foi no Studio de Danças Lucinha Azeredo que ela encontrou todo o suporte que precisava para enfrentar as seletivas do Bolshoi. “Quando a gente começa a dançar, geralmente não tem noção onde quer chegar. Então é muito importante ter bons professores, como os que eu tive, assim como projetos sociais como os do Pro Paz, que descobriram a Ana Clara. Hoje, já viramos uma família e só temos a agradecer ao apoio que o Governo do Pará está nos dando”, detalhou Ágatha.
Para Wânia de Sousa, mãe de Tayssa, que viajou com as crianças e também se comprometeu em cuidar, além da filha, das bailarinas Ana Clara e Ágatha, durante os oito anos de curso na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, em Joinville, a responsabilidade e a dedicação serão imensas. “Para realizar os sonhos das nossas filhas eu resolvi assumir esse papel de mãe das três. Será um desafio imenso, mas não tenho dúvidas que lá na frente vamos colher os frutos desses sonhos”, contou Wânia.
Já para Aimée Silva, mãe solteira que trabalha como operadora de caixa numa financeira, a alegria de realizar o sonho da filha Ágatha é maior do que a dor da separação. “Elas estão trilhando um caminho muito difícil, mas com garantia de que serão bem cuidadas e terão contato com alguns dos melhores profissionais do mundo”, declarou Aimée.
De acordo com o site da escola, todos os candidatos aprovados receberão bolsa de estudos e benefícios. A manutenção da bolsa ocorrerá de acordo com o rendimento do curso regular de ensino e do curso de dança. As despesas de moradia, alimentação e matrícula no curso de ensino regular são de responsabilidade dos aprovados, bem como todas as despesas pessoais que envolvam a rotina deste aluno.
Na manhã de terça-feira (17) os quatro bailarinos paraenses fizeram sua última apresentação antes do embarque para Joinville. O evento, realizado no Teatro Estação Gasômetro e que contou com a participação de alunos do Pro Paz nos Bairros, familiares, amigos e autoridades, trouxe ao palco uma demonstração em grupo e solo de ballet, o que culminou com uma apoteose musical, em despedida aos jovens artistas.
Bolshoi
Joinville foi a cidade escolhida para sediar a única filial do Teatro Bolshoi fora da Rússia. Localizada ao norte do Estado de Santa Catarina, sua inauguração ocorreu em 2000, tendo como diretor Vladimir Vasiliev, que junto a Luiz Henrique da Silveira se tornaram os patronos fundadores da instituição. Hoje, o Bolshoi no Brasil se mantém com patrocínio dos denominados “Amigos do Bolshoi” - empresas e pessoas físicas que contribuem para o desenvolvimento da arte.
O Teatro Bolshoi figura como uma das principais companhias de balé e ópera do mundo, tanto que é considerado patrimônio cultural da humanidade pela ONU e Unesco e atualmente tem sua sede conhecida como cartão postal de Moscou, capital da Rússia.
Hoje, com cerca de 1000 funcionários diretos, o Teatro Bolshoi de Moscou realiza 300 espetáculos por ano em diversos países, sendo referência na qualidade artística e na produção cultural. Quatro brasileiros fazem parte da companhia profissional russa, dos quais três são formados pela Escola do Teatro Bolshoi no Brasil: Bruna Gaglianone, Erick Swolkin e Mariana Gomes.

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