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Prédios marcantes do Centro de Manaus estão entregues às baratas

Prédios marcantes do Centro de Manaus estão entregues às baratas

O que se vê ao ficar em frente a esses monumentos é muito mato, tapumes e estruturas de aço, concreto, madeira e vidro caindo aos pedaços. 03/02/2017 às 22:08
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Fachada do complexo Booth Line, onde também funcionou o TCE (Fotos: Euzivaldo Queiroz)
Silane SouzaManaus (AM)
Apesar da promessa  da Prefeitura de Manaus de valorização do Centro Histórico, prédios dos tempos  da “Paris dos Trópicos”, importantes para a memória da capital amazonense, alguns inclusive com projeto de revitalização, seguem em ruínas. O que se vê ao ficar em frente a esses monumentos é muito mato, tapumes e estruturas de aço, concreto, madeira e vidro caindo aos pedaços. 
O Hotel Cassina, depois Cabaré Chinelo, na rua Bernardo Ramos, é um dos grandes símbolos da degradação do Centro Histórico e de projetos oficiais que não dão certo. O decreto 3.125, de 24 de junho de 2015, na gestão do prefeito Arthur Neto (PSDB), declarou o local “de utilidade pública” para fins de desapropriação e construção de um Centro de Arte Popular. Mas, até hoje, nada foi feito e a estrutura segue correndo risco de desabamento. A Prefeitura não respondeu sobre o andamento do projeto de revitalização do Hotel Cassina. 
O Museu do Porto, no boulevard  Vivaldo Lima, é outro monumento histórico que retrata a falta de sensibilidade e respeito pela memória da cidade. O prédio, que contavam com um acervo de peças referentes às atividades portuárias, está desativado há anos devido a disputa judicial. Enquanto isso, algumas das antigas máquinas permanecem expostas na área externa e relegadas a sol e chuva. 
O complexo “Booth Line”,  na antiga Praça Oswaldo Cruz, passa pela mesma situação. O problema é que lá só existe a “casca” das fachadas dos prédios que abrigaram desde lojas de artigos importados, supermercado, a agência de banco, repartição pública e bar e restaurante. A frente do complexou virou um depósito. 
Quem frequentou o complexo na época que havia supermercado e lojas de artigos importados lembra como ele era bonito, agradável e com produtos alimentícios que ainda dão água na boca só de pensar. “Meu pai e minha mãe costumavam nos levar ao Booth Line para tomar sorvete. Havia uma grande variedade de sorvetes. Também tinha umas bolachas importadas deliciosas”, contou o professor Joaquim Filho, 58.
Joaquim  afirma que fica indignado com o descaso das autoridades com patrimônios históricos como o Booth Line. E não é só ele que pensa desta forma, pois mesmo quem nunca viu esses prédios em pleno apogeu fica revoltado ao  ver suas estruturas com sérios riscos. “Não é apenas pela bonita fachada, mas pelas histórias que carregam, que fazem parte da nossa cidade se perdendo”, disse o estudante Vagner Souza, 19.
Personagem: Robério Braga, secretário de Estado da Cultura
O Secretário de Estado da  Cultura, Robério Braga, por sua vez, explicou que o Museu do Porto e o complexo Booth Line são tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas são propriedades particulares. “Há um problema judicial entre o Governo Federal e o Porto Privatizado de Manaus quanto à revitalização. Chegaram a discutir comigo a passagem deles para o Estado, pedi para fazerem um inventário, mas não tive mais retorno. Isso faz uns quatro anos”, contou. 
O secretario lembrou que, no governo  Amazonino Mendes, foi feito um projeto para revitalizar do Hotel Cassina, o Estado pagou inclusive por sua desapropriação. Mas, no início da atual gestão municipal, a prefeitura pediu o projeto para fazer a restauração, o governo estadual lhe passou o prédio, mas nada foi feito até agora. “Não se sabe o porquê”. 
Lojistas questionam obrigação
Se não bastassem os monumentos históricos abandonados, ajudando a consumar parte da história de Manaus, outros prédios, também situados no Centro, foram obrigados a retirar fachadas, como acontece nas ruas Henrique Martins e Lobo D’Almada.  Quem vê as estruturas sendo quebradas pergunta se a ação foi autorizada por algum órgão. Os lojistas alegam que as mesmas sempre fez parte do imóvel.
Para o Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb), porém, isso não é verdade. O órgão informou que atua na regularização de engenhos e fachadas no Centro Histórico, atendendo legislação municipal e federal em vigor e desde 2008 é realizado um trabalho permanente para despoluição visual do Centro Histórico, tendo como base o Manual de Placas, decreto-lei usado para nortear os engenhos de áreas de interesse de preservação histórica.
Após as ações de engenhos, se passou a atuar para promover a recomposição de fachadas históricas, sendo notificados os imóveis com marquises irregulares e em desconformidade com a fachada original e vãos, incluindo retirada de aparelhos de ar condicionado e compressores. Os donos recebem prazos para os devidos ajustes. Esse é um trabalho de rotina da Gerência de Patrimônio Histórico (GPH), sempre com base na lei.
A gerência aprova, conforme pedido, colocação de lonas do tipo retrátil, desde que haja interesse do proprietário. Em muitas lojas do Centro elas existem e são usadas nos períodos de chuva, para ajudar na proteção de pedestres e consumidores.
De acordo com o órgão, cinco lojas foram notificadas este ano para atender o Plano Diretor da cidade, para retirada de tubulação de ar condicionado, painéis irregulares e marquises que avançam sobre os logradouros e demais estruturas irregulares, que tanto cobrem fachadas históricas quanto muitas vezes provocam goteiras e água jogada nas calçadas.
O prédio citado estava com a fachada em situação irregular. Os proprietários também são sensibilizados a melhorar suas fachadas, o que embeleza a cidade de modo geral. Na avenida Eduardo Ribeiro, por exemplo, o Implurb teve ano passado 98,3% de adequações realizadas. De 122 unidades, 104 se adequaram. “Arrumar as fachadas é como cuidar da sua casa, deixar ela mais atrativa e bonita até mesmo para o comércio”, explicou a arquiteta do GPH, Carolina Azevedo.

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