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História do rádio Paulo Gilberto


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No dia 24/11/1948, a voz de Josué Cláudio de Souza, que as ondas do rádio tornaram inconfundível para os amazonenses, ganhou um tom especial de emoção, anunciando:“Está no ar a Rádio Difusora do Amazonas, estação ZYS-8, a mais poderosa da planície e a mais querida de Manaus, operando na freqüência de 4.805 kilociclos, ondasintermediárias de 62,40 metros”. Josué Cláudio de Souza, o legendário fundador e diretor da Rádio Difusora do Amazonas, chegou a Manaus a bordo de um Catalina da Panair do Brasil, no dia 31/12/1942, invocando, como costumava dizer, as bênçãos de sua madrinha Nossa Senhora da Conceição, padroeira desta cidade. Jornalista, nascido em Santa Catarina, Josué acabava de receber de Assis Chateaubriand a missão de dirigir a única estação de rádio de Manaus, a Rádio Baré, antiga Voz da Baricéia, e o jornal mais tradicional e mais antigo do Amazonas, o Jornal do Commercio, há pouco tempo incorporados ao grande império de comunicações do Brasil daqueles tempos: a cadeia dos Diários e Emissoras Associadas do Brasil.

Emissário de Chateaubriand
O jovem emissário de Chateaubriand indentificou-se de tal forma com esta cidade, que se tornou amazonense por livre escolha e aqui deitou suas raízes. Grande comunicador de massa, Josué elegeu-se deputado estadual em três legislaturas, participando da Assembléia Estadual Constituinte em 1947. Foi o primeiro prefeito eleito de Manaus na era pós-getulista, no começo dos anos 1960, assumiu interinamente o governo estadual e conquistou três mandatos de deputado federal. Mas a força do seu carisma afirmou-se muito mais no jornalismo e no rádio, especialmente no rádio, veículo que ele efetivamente alavancou quando criou a sua própria emissora, a Rádio Difusora do Amazonas, em sociedade com sua esposa e grande incentivadora, Maria da Fé Xerez de Souza, e os amigos fraternos Jaime Bittencourt de Araújo, Agesilau Souza de Araújo, Fabiano Afonso, Alzira Figueira, Alberto Carreira e João Salomão (este e sua esposa, dona Camélia Cantanhede Salomão, eram padrinhos de casamento de Josué e Maria da Fé e padrinhos de batismo de Josué Filho).

A Difusora está no ar
No mesmo dia, às 20 horas, a Difusora abriu as portas de seu auditório, na Rua Joaquim Sarmento n.º 100, telefone 25-12, para o show de inauguração ansiosamente aguardado pelos manauenses. Os grandes astros e estrelas da mais poderosa emissora da planície apresentaram-se em noite de gala. Os “Cancioneiros da Lua” – conjunto vocal formado por Hiran, Tiba e Ivan Caminha, Raimundo Corrêa Lima, Hélcio Maia e Clóvis Bacury – deram o tom glebarista ao espetáculo, cantando Terra de Ajuricaba, samba ufanista do intelectual amazonense João Mendonça de Souza. E a grande atração do espetáculo, Orlando Silva, “o cantor das multidões”, apresentou três de seus grandes sucessos: Lábios que beijei, valsa de J. Cascata e Leonel Azevedo; Carinhoso, samba de Pixinguinha e João de Barro; e Jornal de ontem, samba-canção de Romeu Gentil e Elisiário Teixeira.

Tempos Heróicos
Em tempos muito difíceis, quando os serviços de correios e telégrafos eram reconhecidamente precários e a comunicação telefônica para o interior não passava de um sonho, as ondas potentes da Difusora alcançavam os mais distantes pontos do nosso território, transmitindo mensagens ansiosamente aguardadas pelos amazonenses.

A Crônica do Dia
Desde a inauguração da Difusora, no dia 24 de novembro de 1948, Josué Cláudio de Souza passou a ler a sua crônica diária na sua própria emissora. Ao meio-dia, de segunda-feira a sábado, acompanhando as badaladas do sino da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Manaus parava para ouvir a Difusora e escutar “a Crônica do Dia”.

Família Difusora
A História da Rádio Difusora do Amazonas se confunde com a saga de Josué Claudio de Souza, e de sua esposa Maria da Fé. Todos os meses seu companheiro de empresa e amigo Nelson vinha a Manaus ver o andamento da Baré e, observando a excelente performance do novo diretor, insistia para Josué fundar sua própria rádio. Mas Josué não se animava com a idéia, pois reconhecia que ele, não tinha poder aquisitivo para tal. Nelson era insistente e não vendo nenhuma reação do amigo, ele próprio escreveu uma carta solicitando aos Correios e Telégrafos a concessão da tão sonhada emissora de rádio. Josué, para se ver livre da insistência do bom amigo, assinou a carta sem nenhuma esperança, pois para ele parecia absurda a idéia da autorização de funcionamento de uma outra emissora de rádio em Manaus, que nesta epóca tinha aproximadamente 120 mil habitantes.
A surpresa inesperada aconteceu. O pedido foi aceito, mais como montá-la sem capital? Dr. Jaime Araújo, da família J. G. Araújo, com grande tradição e importância no comércio da borracha, ao ouvir a inusitada estória do amigo, disse: “Providencie a compra do material, em banco.” Foi assim que os dois se tornaram sócios durante anos, junto com um pequeno grupo de amigos. Mais tarde, a sociedade se desfez, permanecendo apenas Josué e sua esposa Maria da Fé. Surgia assim em 24 de novembro de 1948 a ZYS-8 – 62,40 metros, onda intermediária da Rádio Difusora do Amazonas, que antes de ir ao ar teve (somente no contrato social) a denominação de Rádio Rio Negro.
Josué montou uma equipe de radialistas amigos e competentes, que toparam a parada sem mesmo saber quanto iriam ganhar, pois no princípio o pagamento era semanal, com a seguinte pergunta: Quanto você precisa para o mercado? Vicente Lauria, Miranda Braga, Dantas de Mesquita, Carlos Leal, Jaime Pascarelli, Luiz Gonzaga, Epifane Martins, Oswaldo Soares (Bico Doce), Índio do Brasil, todos formavam uma equipe unida prol emissora do povo, logo depois ampliada com Rômulo Gomes, Belmiro Vianez e tantos outros. A Difusora foi inaugurada por Orlando Silva, “o cantor das multidões. Mais tarde, ele e Josué se tornaram grandes amigos. Somente na década de 50 surgia a ZYB-21, onda média, e na década de 70 a freqüência modulada.
Josué era um homem fascinante e, como todo intelectual, dispersivo para administrar. Duas figuras ímpares, sua esposa Maria da Fé e o amigo e escudeiro Ismael Benigno, preencheram essa lacuna. A Difusora, durante muitos anos, foi administrada pelo super amigo Ismael Benigno e supervisionada por Maria da Fé, com a preciosa colaboração de Paulo Soares, Carlos Carvalho, João Bosco Ramos de Lima, J. Nunes, Paulo Xerez, Raimundo Clemêncio, Olavo Coelho, Delza Castro (Cavalcante), Mária Wilson, Geraldina Linhares, Leal da Cunha, Moza Castro, Maria do Carmo França, Zuleide Carvalho, Terezinha Tribuzzi e muitos outros.
Desde quando Josué, seu marido, ingressou na política, Maria da Fé integrou-se ao dia a dia da emissora, vivendo e acompanhando, com dedicação, competência, muita sensibilidade e muito amor, todos os passos da Difusora. Os primeiros anos foram difíceis. Josué e Maria da Fé só conseguiram ter casa própria no final da década de 50. Na década seguinte, quase no finalzinho, em 1968, a “emissora do coração do povo” saiu da Joaquim Sarmento n.º 100, quer dizer, atravessou a rua, mudando-se para o n.º 121, com sede própria num prédio de três andares que recebeu o nome de Nossa Senhora da Conceição, protetora de Josué e da Difusora, operando nas três faixas – AM, FM e OT.
No tempo difícil, tumultuado e covarde da ditadura militar, a Rádio Difusora foi penalizada pelo sistema de censura vigente, calando algumas vozes e lacrando a “Emissora do Povo” por algumas horas. A Difusora seguiu sua luta, trilhando o caminho da democracia, conquistando suas marcas junto ao público, que é o nosso grande parceiro na luta pelo progresso do nosso estado.
O escrete Difusora prossegue com Josué Filho, Fesinha (In memoriam), Carminha e Nozinha, e os outros irmãos de fé e de ideal: Valdir Correia, o garotinho, Crisanto Jobim (In memoriam), Sebastião da Mata “Pitombinha”, Osamir Othon, Carlos Luiz, Paulo Gilberto (In memoriam), Carla Silva, Chiquita, Beto, Hamilton, Rubens Natividade, Luciana, Leonor, Diogo, Romualdo, Franciomar Lima, Roberto Cuesta, Elieyde Menezes, Ernandi (PC),  F. Cavalcante, J. Nunes, Jurandir, Cíntia, Arnaldo Santos,Rosa, Luiz Carlos, Manoel, Afonso, Ana, Edson Mello, Paulo Guerra, Eduardo Silva, Sandro, Josimar, Valdemir, Expedito Monteiro, Geraldo Campelo, Raidi Rebelo, Fred Lobão, Larissa Balieiro, Thaís Gama, Carlos Luiz, Lícia Zaranza, Diego Menezes, Rogério Silva, Itamar Jardina, Fabrício Nascimento, Orlando Câmara, Tozzi, Turiel, Genival de Paula, Mônica, Izan Filho e Thiago Miranda (filhos da Carminha), Daniel e André Luiz Anzoategui (filhos da Fesinha), Lorena e Josué Neto (filhos do Josué Filho). Pois bem, chegamos à terceira geração da Difusora, com Josué Neto, Lorena Souza e Daniel Anzoategui. A eles cabe o continuar da emissora que durante esses anos plantou amor e colheu amigos. A eles cabe prosseguir esbanjando esperança, porque o amor de Manaus está no ar. A eles cabe, ainda, o desenrolar desta história interrompida aqui…

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