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O custo de vida no Líbano é alto ,veja aqui !

Líbano – Vida Cotidiana Sem Glamour Turístico

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Quem casa com estrangeiro, está fadado algum dia, a ir para o país de origem do cônjuge, para conhecer a família, a cultura e os costumes. Comigo não foi diferente. Após 10 anos de casamento, eu mudei para o Líbano.
Ao chegar, optei pelo inglês, como idioma de sobrevivência, por ser um idioma internacional, e de fácil aprendizado. Devido à barreira do idioma, minhas filhas não puderam entrar na escola, e precisaram estudar em casa com professor particular, até o ano letivo seguinte.
Nas escolas do Líbano o programa é lecionado em árabe, e com duas opções de educação: inglesa ou francesa. Na educação inglesa, o conteúdo é em inglês e árabe, e o francês é um idioma opcional. Na educação francesa, o conteúdo é em árabe e francês, e o inglês é opcional. Todos os libaneses falam os três idiomas, mas dependendo da educação escolhida na infância, a pessoa será mais fluente, em francês ou em inglês.
O árabe é uma língua muito difícil, existe o árabe clássico (falado em telejornais) e o árabe popular (falado na rua). E ainda, para complicar, o árabe escrito é diferente do falado, e o árabe falado no Líbano é diferente do falado nos demais países árabes, por causa da influência francesa, quando o país esteve sob o protetorado da França.
Sem falar nos dialetos regionais, e as formas faladas para o homem e mulher, que também mudam. Dá para se virar apenas em inglês, mas não é fácil, pois nem todos os libaneses são fluentes em inglês, visto que a maioria teve educação francesa. E isso, às vezes, dificulta a comunicação.
O custo de vida no Líbano é alto, mas os impostos sobre produtos importados não, o que permite o acesso a produtos importados por um preço mais acessível. E o Líbano importa de tudo. Em virtude dos quase 20 anos de guerra civil, o país está constantemente se refazendo (houve outros conflitos após o fim da guerra civil, como o de 2006, com Israel), além de enfrentar os diversos problemas e conflitos internos também. Isso favorece as importações, visto que o Líbano não possui muitas indústrias, de produtos diversificados, e acaba importando quase tudo. Carros considerados de luxo no Brasil são trazidos dos EUA, sem taxas de importação tão abusivas, o que reduz o seu custo final para os consumidores.
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O país sofre com falta de eletricidade (resquícios da guerra civil), e todos possuem geradores de energia em casa, além da eletricidade do governo. Aqui se paga duas vezes pra ter luz: se paga a eletricidade do governo, e a fornecida pelos proprietários de motores geradores de energia. A infraestrutura ainda tem muito a melhorar. As estradas são razoáveis, mas não estruturadas e cuidadas, como as administradas por concessionárias no Brasil. Não tem pedágios, mas também não tem polícia rodoviária, ou ambulância. Também não tem radares (dizem que tem, eu nunca vi), e o índice de mortes por acidentes é altíssimo. Ninguém respeita os limites de velocidade, as leis de transito, não usam cinto de segurança, dirigem alcoolizados, e sempre digitando no celular.
O transporte coletivo é precário e obsoleto. Existem mais ônibus particulares, velhos e mal cuidados, como opção única, do que os ônibus do governo, que eu também nunca vi.
Em toda a costa do país existem restaurantes, hotéis e resorts. Famosos por sua hospitalidade, os estabelecimentos libaneses voltados à arte de receber, realmente são muito bons, mas não existe acesso livre às praias, que são pagas. O sistema de saúde é sofrível, atendimento público até existe, mas até se cumprir as exigências burocráticas, o paciente já morreu antes de dar entrada na emergência.
Existem convênios médicos, e atendimento particular. Entretanto, a diária num hospital particular, sem cirurgia e tratamento de emergência, não sai por menos de US$1.500,00. Quem não tiver cheque, ou puder pagar isso de surpresa, não é atendido.
Existem muitos profissionais e equipamentos defasados, precisando de reciclagem e modernidade, e alguns médicos parecem desatualizados sobre técnicas e tratamentos modernos de medicina. O índice de erros médicos e diagnósticos errados, que leva o paciente à óbito, também é alto. Mas o médico fica impune e o caso abafado. A pessoa enterra seu familiar, e ele continua clinicando, como se nada tivesse acontecido. Existem médicos e hospitais muito bons também, não vou generalizar, mas há centenas de casos absurdos, que ficaram impunes (qualquer semelhança com o Brasil é mera coincidência).
O ensino no Líbano é muito bom, ao término dos estudos, o formando sai da faculdade com o diploma, e fluente em três idiomas, o que deveria abrir muitas portas de trabalho. Porém, a oferta de empregos é escassa, e quem não tiver condições de abrir seu próprio negócio, fica desempregado, ainda que tenham uma excelente formação acadêmica.
Muitos graduados saem do Líbano para trabalhar no exterior, mas os que não possuem condições ficam à espera de uma oportunidade. A entrada de mais de um milhão de refugiados sírios no país, deteriorou a economia, o turismo e aumentou o desemprego. A mão de obra barata dos sírios, e baixos salários, também contribuem para isso.
Limpeza também é um fator problemático. O libanês tem o hábito de jogar tudo para fora de suas janelas (seja do carro ou residência). O país não é limpo, o povo não é educado, organizado, com consciência ambiental e ecológica. O nível de poluição em Beirute é 2/3 acima do limite global, e apenas uma minoria se importa com isso, porque ninguém sai sem carro (em média, cada família possui no mínimo, dois carros).
Programa de reciclagem é nulo, até existem algumas boas iniciativas de algumas ONGs, mas nada que atinja uma participação coletiva, ou que receba apoio nacional. As águas do mar mediterrâneo são impróprias para banho na maior parte do país.
As grandes cidades sofrem com centenas de problemas, e os vilarejos de montanhas, embora ofereçam uma qualidade de ar e de vida, mais pura e limpa, não têm muita infraestrutura também. O país é lindo, e teria tudo para ser muito melhor, mas infelizmente, o Líbano é muito mal administrado, mal cuidado, e carente de milhares de melhorias e mudanças, em vários setores.

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